Coluna: O interior é o exterior da capital

Cado Bottega escreve sobre as inovações e como é importante a troca de ideias e trabalhos com profissionais do interior, que parecem tão afastados dos assuntos da capital.

“Nossa cidade é tão pequena
E tão ingênua
Estamos longe demais
Das capitais”

Humberto Gessinger

Nem tão pequena, nem tão ingênua. Não mais.

Mas durante muito tempo existiu um certo fascínio do interior pela capital, algo cultural que ficou de herança de gerações passadas que acreditavam que “as coisas” demoravam a chegar. As grandes lojas estavam na capital, as escadas rolantes, os melhores shows, as peças de teatro, o aeroporto internacional, os restaurantes da moda e as agências de propaganda bem sucedidas.

Existem conceitos variados sobre o que é interior. Oficialmente, nos órgãos federais, imprensa e universidades, o termo interior se refere ao local que não é a capital e nem as cidades adjacentes a ela. Ou seja, o interior do Brasil são todos os municípios que não integram as áreas metropolitanas das capitais. Pode também designar as áreas que não se encontram no litoral. O termo interior foi muito utilizado quando da construção da nova capital do Brasil, Brasília, que serviu para “interiorizar” o país.

E pensar que hoje, esse interior está a um click de Nova Iorque, Londres, Amsterdam, Paris e a um touch de Berlim, Croácia, Sidney, Montreal. Fronteiras caíram, limites geográficos sumiram, distâncias foram pulverizadas em um mundo globalizado e escancarado para quem quiser visitá-lo. A pandemia da Covid-19 acelerou ainda mais esse processo, fazendo com que pessoas, negócios, causas, clientes tivessem que se reinventar rapidamente e se adequar às novas regras ditadas pelo isolamento.

Agora, enveredando para o segmento da propaganda, segundo dados da FENAPRO – Federação Nacional das Agências de Propaganda, o Rio Grande do Sul tem mais de 1.500 CNPJ’s de agências de propaganda, o interior do estado corresponde a dois terços deste número e com os mais variados formatos: “eugências”, houses e agências com estruturas maiores.

Somos um estado com 497 municípios espalhados por uma área total de 281.730,223 km², o que equivale a 3,3% da superfície do Brasil, sendo pouco maior que o Equador. As cidades mais populosas são Porto Alegre, Caxias do Sul, Pelotas, Canoas e Santa Maria.

E o que dizer de algumas grandes marcas gaúchas? Grendene, de Farroupilha; Tramontina, de Carlos Barbosa; Randon, de Caxias do Sul; as excelentes vinícolas de Bento Gonçalves, Garibaldi e Flores da Cunha, a Fruki, de Lajeado; entre muitas outras: a riqueza do interior do estado.

A ARP – Associação Riograndense de Propaganda passou uma missão para cada um de seus vice-presidentes, a que me coube foi a de interiorizar a entidade. Desafio aceito comecei a me questionar como ainda ser atraente para este “interior” tão conectado com tudo? Como ser relevante para quem tem acesso a tudo que está acontecendo real time? Como ser referência se há milhares delas para poder escolher?

Tudo certo em assistir as últimas façanhas de David Droga com sua Droga5 em uma live no Facebook, ou receber as dicas de Bob Greenberg da R/GA sobre espaços conectados no Instagram ou ainda ver as últimas campanhas da Wieden+Kennedy em seu wk youtube channel. Mas e a interação, o olho no olho, o conselho particular, a resposta customizada para o seu problema, onde ficam? Já imaginou um workshock ministrado pelo idealizador da Innovation Weekend Juan Pablo Boeira aí na sua tela, ou na sua cidade quando as coisas voltarem ao normal? Ou um bate-papo animado sobre criação e modelos de agência com o Fábio Bernardi sócio-diretor da Morya? E, quem sabe, um fórum sobre a participação das mulheres na propaganda comandado pela Presidente da ARP e sócia-diretora da agência Do It, Liana Bazanela? Hein, hein?

É uma troca. Uma troca onde todos aprendem, onde todos saem ganhando e onde o local é o que menos importa.

Aguardem. Nós, da capital, estamos indo ao nosso encontro. 

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