O futuro não é mais como era antigamente: Clube de Criação e Eduardo Axelrud falam na Semana ARP da Comunicação 2016.
Criador multipremiado, Eduardo Axelrud falou sobre o momento de transformações que atinge em cheio a publicidade.
A primeira palestra do primeiro dia da Semana ARP foi um passeio por Cannes, conduzido pelo publicitário Eduardo Axelrud, com a participação de integrantes do Clube de Criação. Há muitos anos, o festival de Cannes se transformou na principal referência dos publicitários no mundo por discutir realizações e antecipar tendências que vão dominar a propaganda.
Com quase 30 anos de mercado, atuando como diretor de Criação das agências Escala e
Competence, Axel tratou Cannes como o “palco de novidades e de angústias para a indústria da comunicação” ao fazer um apanhado do que foi recorrente no festival desde a edição de 2010.
A principal mudança nesse período, destacou, foi na edição do ano seguinte: o festival parou de discutir propaganda para debater criatividade, por entender que, mesmo com todas as transformações do mundo digital, buscar o diferente será essencial sempre. A semente dessa mudança começou em 2002, em uma palestra que apresentou o seguinte cenário: na virada do século, uma marca veiculava seu comercial na televisão e todo o mundo era obrigado a assistir. Surgiu naquele ano um alerta no sentido de que os dias
futuros seriam diferentes, desafiadores, por conta de três revoluções.
A primeira era a revolução tecnológica que estava em andamento com a chegada da internet e o mundo digital, que abriu as portas para novos canais para a veiculação de mensagens. Assim como a invenção da prensa móvel por Gutenberg, do rádio por Marconi e do cinema pelos irmãos Lumière deram origem a uma série de novas narrativas, o meio digital também deu o pontapé inicial para um mundo de transformações. Só que muito mais abrangentes do que as promovidas anteriormente.
– A tecnologia, o compartilhamento, as experiências facilitaram a vida das pessoas, embora ainda hoje haja medo do novo e uma tentativa de lutar contra – disse Axel, citando a briga das operadoras de telefone com o WhatsApp e dos
taxistas com o Uber. O publicitário aproveitou para fazer uma provocação com a plateia, formada por publicitários e profissionais da área da comunicação, lembrando que mudança para melhor só
acontece com os outros.
– Temos muitas críticas ao WeDoLogos, que desenha logotipos. Quando a mudança chega à
praia da gente, a gente se assusta e apresenta 20 argumentos para ir contra, mas não aceita os argumentos dos taxistas contra o Uber, por exemplo.
A revolução da tecnologia levou a uma segunda, a revolução do compartilhamento, quando as pessoas passaram a construir relações, definir identidade e construir imagem a partir do que se está compartilhando. E na sequência, explicou Axel, surgiu uma terceira revolução, a da transparência.
– A transparência é fundamental e passou a ser a nova ordem mundial. Hoje as pessoas postam abertamente em serviços como aluguel de carros e de hotéis suas avaliações sobre a experiência, obrigando as marcas a estarem abertas para receber e aprender com as críticas. As empresas precisam se dar conta de que a tecnologia permite que se criem ideias e os seus clientes podem se engajar nelas.
Mas o que não muda para o futuro?
– As pessoas – respondeu Axel.
– O que a gente é a gente vai continuar sendo. Então, mais importante do que nunca é entender o comportamento humano. Também é preciso entender que humanizar marca não é co locar as pessoas ao lado dela, mas fazer com que se comporte como uma pessoa. O processo de humanização deve ser orientado por três pontos:
quem você diz que é, quem as pessoas acham que você é e quem você realmente é. Esses três
pontos têm que ter a mesma resposta – afirmou.
O publicitário lembrou que as marcas precisam das pessoas, mas o inverso não é verdadeiro: as pessoas não precisam das marcas, elas precisam de soluções. No século XX, as marcas faziam as pessoas quererem coisas, agora precisam fazer coisas que as pessoas querem. Axel apresentou um estudo mostrando que as 50 em presas que mais cresceram no mundo nos últimos anos melhoraram a vida das pessoas.
– A marca precisa criar uma verdade e essa verdade precisa ser relevante na vida das pessoas – disse Axel.
Ao final da palestra, junto aos publicitários Cado Bottega, Beto Schmidt e William Mallet, integrantes do Clube de Criação, Axel apresentou e analisou uma série de comerciais premiados em Cannes. Em todos eles, os elementos em comum eram tecnologia, inovação, verdade, relevância,
fazer > falar e o principal propósito das marcas: melhorar a vida de seus consumidores.













